DÍZIMO

A Dimensão Social do Dízimo consiste no serviço prestado pela comunidade aos empobrecidos. A comunidade pode se colocar a favor dos empobrecidos de várias formas: defendendo os seus direitos, promovendo campanhas de conscientização, fazendo reuniões/encontros para chegar às causas da marginalização, formando as pessoas para que estejam preparadas para o mercado de trabalho, auxiliando no crescimento integral (com as pessoas, e não somente para as pessoas), ajudando em momentos de urgência/emergência. O dever de zelar e promover o bem-estar das pessoas é do Estado, mas não só dele. O Estado deve fazer a sua parte, contando com a participação de todos os cidadãos. Se o Estado não está fazendo a parte que lhe compete fazer, é justo reivindicar para que faça. Contudo, isso não nos isenta de sermos fraternos, ajudando-nos mutuamente. A comunidade pode promover os empobrecidos ajudando-os a conquistar o espaço que ainda não têm na sociedade. Uma das formas de inclusão é o acesso à educação; outra, o ensino profissionalizante. A comunidade pode assistir os empobrecidos sempre que vai ao encontro deles em situações de emergência. Quem está com fome, não pode esperar; quem está doente, necessita de atendimento e remédios. Sempre que possível, e não podendo contar com o aparato do Estado, a comunidade deve “repartir o pão”, a exemplo do que faziam os primeiros cristãos. A Dimensão Missionária do Dízimo consiste na abertura a todas as pessoas, com o objetivo de partilhar com elas os valores do Evangelho. Uma comunidade pode tornar-se missionária quando, por exemplo, coloca-se à disposição de outras comunidades, auxiliando-as com pessoas, subsídios e dinheiro para que elas formem as suas lideranças, construam os seus lugares de oração, adquiram meios para cumprirem com a missão de evangelizar. E mais: enviando auxílio para missionários e missionárias que atuam em outras regiões, dentro ou fora do país; formando missionários e missionárias da própria comunidade, para depois enviá-los em missão: recebendo missionários e missionárias de outras comunidades para períodos de estágio, capacitação e aprofundamento; enviando recursos materiais para entidades, ordens e congregações que atuam nas missões; destinando parte do dízimo para as campanhas missionárias, especialmente para aquela que se faz em outubro (Coleta para as Missões). O que a comunidade deve investir, em cada uma das dimensões do dízimo, depende da sua realidade! Em algumas, a dimensão religiosa deve ser priorizada, em outras, a dimensão social; em outras ainda, a dimensão missionária. Cada comunidade em uma “idade pastoral”. Quem já tem uma estrutura razoável ou satisfatória, pode investir mais no social e/ ou no missionário. O essencial é que, em nenhum momento, a comunidade deixe de investir nas três dimensões, mesmo que não invista a mesma quantia em cada uma delas. A quantia necessária para que a comunidade supra satisfatoriamente com as três dimensões do dízimo, muda de comunidade para comunidade. Quanto mais conscientização, administração transparente e bom uso do montante recebido, tanto mais participação por parte dos dizimistas. Se houver sobras partilhe-se com outras comunidades; se ainda não se tem o suficiente, invista-se na conscientização e estruturação do dízimo. Para concluir... O dom é feito a Deus, que dele não necessita, mas com o sentido preciso de socorrer as necessidades da comunidade, em termos de culto, de manutenção de serviços apostólicos e de socorro aos irmãos necessitados. Dentro da comunidade, o sistema do dízimo vê seu sentido alargado em direção à fraternidade e corresponsabilidade cristã na obra comum.

(Pastoral do Dízimo, CNBB, 1978, p.55)

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